poemas de rogel samuel Não posso reter os teus traços Nem as notas de teu tema Pois tua música se esquece Como as vozes do poema Da paixão, que mais um traço Foi do azul de minha pena, E quando te vir já será garço O repique da tua cena e o afastado abraço... (oriunda onda a que cerca de aço me levarão tuas algemas?) era o parque o ser o nada era o monstro da montanha era tudo o abandonado o castelo no ar o aliado era o canavial incontrolável a lente de todos os saberes o morredouro das gentes o sorvedouro do ser era o risco a mágoa a nuvem as estreitezas o ver mas tinha o que eu mais amava o sonho a fantasia o crer era pra ler, era pra ser era pra ver, era pra não crer que tudo nada foi, ou nada apareceu num mundo de provocações no ardor, ou louro, ou de uma montanha de ouro e que tudo deu em nada ou se perdeu em asas que como águas de cristais que correm na pedra no tanque de seu mudo aço, e sob aquelas vozes alçadas no pátio do passado perto lá de casa meio mar Quando lemos quando poemas quando fazendo-me vomitar a fase dura do mar a face horrível do amar quando quero simples quero voltei ao fundo da primeira taça sonhar era o parque o nada era o simples naufragar voltas na praia antiga minutos no meio mar quantos poemas, quando poemas quantos poemas, quando poemas sem rumo no escrever vou assinando esses termos no limbo do anoitecer quantos poemas, quando poemas cena carioca Joga o mendigo na praça pedaços de pão para os pombos e inteiramente de graça dá de ombros. por maior que seja o diamante não supera o brilho interno de teus olhos não quero supor que és minha estrela mas sim o sol sobre as colinas e os mares teu perfume recomeça sempre nos ventos por mais negra que seja a noite devemos esperar pelo amanhã o sol, bem ou mal, será esperado a luz diamante apontará no risco e nós nos amaremos outra vez feliz quem sabe que tudo passa e que o mundo recomeça sem outro mesmo Eram três figuras na janela três amigas, três tristonhas espiavam para a casa três certas meninas aquelas e eu me dei conta do brinquedo daquelas figurinhas mitolõgicas três vezes era demais para a sabedoria ser capaz sobolos rios que vão sobolos rios que vão por Babilônia, me achei onde sentado chorei com Camões esta canção, as lembranças de tudo por quanto no rio passei o rio negro negro corrente que de meus olhos foi manado, e que somente meu deu lembranças que nalma se representaram e se fizeram tão presentes como se nunca fossem tidas com o rosto banhado em lágrimas via minha tia Luzia e seus cuidados imaginados e o meu tio Alberto na sua mesa de trabalho sorrindo para o seu lado. Vi que tudo que passei que todo o bem passado não era gosto, mas é mágoa. mas quando feliz estou contigo me esqueço do passado nada existe, já passou e logo me recomponho pois o tempo imaginado o tempo recuperado já é outro, já não existe como o rastro de uma nave no ar do mais largo oceano ah, tempo passado, tempo morto tempo árido! contigo não estarei nem mesmo nas lembranças! o quadro se apaga e os momentos são sonhos projetados na vidraça! poema de março Não quero rever o segredo o teu copo de mar nem a horta colher a medo por quem a imitação da forma é a porta por entrar a costura da imagem da pele mais quente amar que fria ou quente acessórios são para o tom certo aplainar ou a tonalidade vazia que nada sabe o enredo em que quero aprisionar e por onde passa o espelho lançado sobre o luar oriunda onda onde queres neste oceano me levar? O Tao Um caminho que pode ser seguido não é o eterno o absoluto O nome que pode ser enunciado não é o absoluto O céu e a terra brilham sem nome O nome é a raiz das cem mil criaturas Desta que somos sombras do infinito A música dos céus não soa quando a nomeamos são tão fáceis os poemas, são são tão fáceis os poemas, são tão bons de cantar, são tão fáceis de se verem escritos esses versos que se devem cuidar de guardar o que pode acontecer é que à noite todos dormem, e essas falas se engavetam em sonhos onde é fácil esquecer, e essas falhas faladas me farão esquecer são de pedra as tuas vestes são de pedra as tuas vestes são de aço barato o teu músculo macho entre os bronzes das pernas e tua palavra de nada e tuas mãos são de fada e tuas flores de lodos e tuas loucas e poucas alucinações fantasiadas praça da saudade na pálida luz de uma lembrança amena no silêncio de um poema de Anisio Melo me lembro da praça da saudade e nela tua imagem sob o caramanchão não há uma saudade ali inscrita mas uma espécie de sonho, de passado de águas de uma chuva fina de sombras de uma festa nossa casa muitos beijos pobres beijos perdidos pouco lidos poemas, apenas rascunhadas cartas lenços bordados perfume de rosas na alcova luzes no caminho do nosso amor SOMBRAS NA JANELA PORTA NA CANCELA TUDO NA ESTRADA VELHA NOSSA CASA NOSSA ENTRADA carnaval sim gosto de carnaval da alma da imagem o tambor dos batuques e dos rebolados das baianas que giram e das comunidades do morro eis que sambo em imaginação como que quem avançar como quer o espírito e o corpo do amor na passarela do samba na passarela do samba se vai, escorrega, trabalha e cai, tranquiliza, na curva se desenvolve a reta quem passa se vê refletido nos espelhos estamos vendo os carros, as baianas, o vento, o calor contra o vento, estamos na batida do samba do horizonte, as luzes sobre as ondas na passarela deste mar estamos em plena sapucaí, como no poema antigo para Annie não, eu não quero mais contracenar com a tua morte não quero estar para sempre a ensaiar o teu lado mortal agora eu quero a vida o vazio da paz mental o abrir para um novo silêncio de flores de mares sem lamentações sem adeuses sem tristeza um novo estado de voz de minha voz cansada de cantar no vazio deserto carnaval no seu calor eu que rebolar a minha dor na sua voz eu que entoar o amor não sinto tanto o vazio do meu pranto leve retrato o meu carnaval é no seu prato Rogel Samuel museu de pedra são de pedra as tuas vestes o teu blusão é de aço como teu músculo macho e de bronze as tuas pernas e de ouro os teus cabelos alados que da matéria vital é tua palavra o teu laço mas tuas mãos sobre mim são suavíssimas flores palco de teus amores linhas do teu pomar máscara africana nao há nada atras da mascara a mascara nada esconde do que ela é exterioriza o que é pelo haiti ai! haiti que inimigos tens, secretos feitos de homens, feito de deuses? monstruosidades calam em teu leito mudas a cada grande dor teu enorme pleito pela vida, pelas águas, pela multidão de teus feitos desde a colônia francesa de são domingos desde a revolução francesa desde teu líder Toussaint L'Ouverture que derrotou a França e a Inglaterra preso por Napoleão desde Dessalines e os jacobinos negros que prosseguiram o combate e a conquistaram, em 1804, a Independência cruel, sangrenta e definitiva, que batizaram em sangue o País como o nativo Haiti e onde meu amigo chinês mora ou morava (não sei dele) e ensinava; ai de ti, ó povo da Independência vitimado que atrai da vitória a maldição a maldição dos heróis a maldição dos deuses pelo que produziste o café, o anil, o cacau, o algodão e o açúcar melhor do que ninguém e onde meio milhão de escravos africanos trabalharam ó vítima da liberdade que os deuses me protejam da tua maldição! ó, haiti
para Azenha um punhal de neve um buquë de ar um sorriso leve como o mar ela era mestiça de chinês mestiça de luar era bonita em seu jardim em seu pecado de flores nos seus lábios havia um rio o universo se abriu eu pude entrar estar no mundo brincando de te beijar sentir tua língua o peito como se deve amar... como eu gostaria que fosse esse poema descrito por mim que gosta sê-lo e poderia retê-lo amante na placidez daquela tarde risonha que só de versos alegra o diamante azul meu diamante azul constrói meu carbono seu destino é o eterno o universo a luz o vazio o norte o nome um milhão de anos meu diamante azul estará vivo no espaço das formas no aço informe na matéria nova e morta da coisa viva meu diamante azul é a morte tem fome noite de sedas, noites de segredos (2) noite de sedas, noites de segredos noite de cartas, de telefonemas de amplos laços esgarçados noite de fogos, de revelações soube trazer na noite os mesmos passos soube fazer naquela mesma taça velha taça de prata familiar o sonho o resumo o aparecer na planície entre o branco das sedas e o azul deserto quando a praia se abre em grandes constelações em grandes flores-palácio e escrito está na glória das belezas o teu sorriso claro das estrelas plenas noite de sedas, noite de surpresas ERAM DOIS POSTAIS MUI PÁSSAROS E PÓLEN desciam o declive da madrugada se olharam parados e em sorrisos um simulando atrás no escuro ela concentrada picava suas penas No volume da lua prata havia uma carta E os dois se amaram ali daquele jeito ouvindo gemer a fonte que gozava fofa forte farfalhante madrugada (poema antigo, hoje reescrito) noite de sedas, noite de segredos noite. triste noite acordado sonho que beijo a sua nuca nua e minhas mãos empalmam o seu calor e eu penetro no corpo de sua noite, lá onde delira e fora passam velozes passam motivados mas danço consigo o Reino do Desejo e sonho que estamos tão felizes que vejo estrelas mundo alado dos anjos do espaço só tenho alguns minutos a seu lado noite de sedas noite de estrelas volto a dormir sonhar quem sabe o nosso amor é uma ficcão criadora um fingidor que finge "o que deveras sente" uma figuração cênica linda, bela, emocional prestidigitação contruída do meu desejo minhas mãos empalmam as tuas curvas e apalpam teu sexo como se fosse eu um estatuário modelador em tua luz o nosso amor é um mito mas é o mito aquilo que nos conduz eu que te amo não te conheço apenas desejo apenas fumos apenas ser mesmo assim eu te possuo todas as noites e sei que existes em algum lugar que sentes o meu acariciar que gozas que mordes que gostas eu que te amo não mudarei de lugar o meu amor por você é algo muito secreto de sua família escondido de sua consciência escondido de todos segredo o meu amor por você não é medo nada não tem de errado ou reprovado (quem reprovaria o amor?) nem censurado o meu amor por você é elevado sagrado motivado pelo nosso ser (Para Rosa) noite de sedas estrelas a noite não será tão negra enquanto eu puder ouvir a sua canção nem saberei de dor enquando navegar nas suas águas límpidas nas suas imagens claras nos seus cadernos e guardados no seu sorriso jovem a velhice nada significará pois eu sei que está junto a mim mas tudo passa e tudo que passa tem a sua eternidade tudo recebe os beijos da manhã e a claridade da noite enluarada envolta em sedas de estrelas minha identidade se perde em sua id e me perdi ali, que dissolvido estou no ser amado em seu destino. que se me vejo no reflexo de seus versos já dividido sou nos seus espelhos nem busco estar no todo de suas partes mas no dorso, em procurando a casa inteira dei-me conta que só de números me inscrevo e recebo identidade e assim percorro os seus ombros, os seus pelos, o lenho exposto sobre os anelados dos cabelos e a linda curvatura do pescoço.
seu poema está imerso nessas ondas do fundo que confundem são gavetas são marcas dágua são dunas de um outro mundo são gravações agravadas onde o poema dorme, gravado mas solto, engavetado mas aéreo, eu disse que essa sua nova fase de sua poesia vai ser gravada nas ondas desse mar desse colorido mar nas ondas do fundo da memória desses computadores-leitores a cores ou leitores em preto e branco e agora em ondas vermelhas pretas e azuis concentradas concêntricas fecundas postadas gravadas água água e areia água tinta de cor de água água e tinta de água e cor pássaro meus dedos de aço passam na plumagem luminoso pássaro imerso na paisagem em minha cor e casa e ponho-o no meu lago um pincel usado pinço-o com cuidado ramagem extraordinária forma de uma flor ou como um piano como um belo plano bebo seu licor e forço a sua entrada dou-lhe vida e cor novo poema novo poema pobre poema agita agora minha imaginação sonho seu rumo sopro suas teclas ouço sua lira confusão meus dedos de aço passam pelas plumas dessa seca e estéril movimentação somos comovidos somos só ouvidos somos resolvidos gestaçao porta calada madrugada o silêncio é nada o vento me acorda o silêncio morre sobre esta triste noite a quente suportada espera volto ao sonho antigo no sonho palavra dada porta calada madrugada e que horas são? qual tempo lembrar? da minha janela percebo um pedaço de rua vento da noite nua sopra na solidão porta calada madrugada a chuva com seus "chhh" com seus chiados e teclados com seus dedos molhados toca a sua canção no poema (ao longe ouve-se uma trovoada: que deus ruge ao longe?) - para Jefferson Bessa a palavra falada tentada forçada escrita a ventarola do fio do violino na porta o mormaço cobre o túmulo e volta a ser gente e volta a ser gleba voltamos nós à palavra falada ouvida esquecida esquisita morta como o fio do destino à porta é um outro lugar um salão sagrado, familiar, construído há muito tempo, e cheio de morte ecoando suavemente mofado escuro quieto como uma nuvem de umidade por cima do tapete verde da pedra espero a “Celebração da paz”, de Holderlin uivo longo noite escura vento o vento evoca suas vozes longas e ecos cavernas fundas por que parece que morri? uivo longo, muitas vozes silenciadas madrugada escancarada prata ouro lanterna mágicas calma nos arredores e arrepio uivo longo na murada volto a sonhar na praia da ponta negra na praia de ponta negra me prosternei na praia o tempo, na praia negra do tempo sobre aquele muro de vermelha areia estava escuro, sim, e ninguém nunca a via o vento assustado uivava e recolhia as estrelas penduradas que se entreolhavam aflitas e iaras nas águas vestidas de branco ou nuas e em bando eu via o rumo fundo do rio longo na direção do fim do outro mundo amado, do outro lado e não, ninguém naquele dia, ninguém naquela noite naquela hora que eu procurava nas linhas retas das pedras antigas aéreas do rio o veio velho do vento onde estaria a praia da ponta negra que ouvi e amei (Reescrito em 23 de setembro de 2009) pequenas luas pés descalços poças dágua mundo de estrelas a menina pisa no arco-íris (após ler um poeta amigo) castelos de luar de lua de tua vontade nua de tua luz de lua voz de sua- ve paladar castelos no ar no vagar do imaginar (para Isabel Montes) castelos íntimos parte dourada casa contemplada por castelos castelos íntimos quanta maravilha luzes lantejoulas fantasias caras que nem sempre existem na felicidade castelos íntimos parte dourada de uma casa o mundo das imagens das estradas, das dúvidas o mundo das voltas das curvas, das novidades o mundo das estradas das entradas, das cadeiras o mundo das figuras desafiam as manobras o mundo das fotos as florestas, dos cabelos as coroas e tiaras bandas de rock, clicks e links casa abandonada as janelas estavam assassinadas assistiam a tudo ao mar, às aves, à montanha nunca mais fechadas fecundas de vento arrebatadas de sol batidas pelo firmamento e as janelas nunca mais se fecharam porque não havia ninguém mais lá dentro porque os poros da casa se abriram às verdejantes trepadeiras que cobriam todo passado tecíamos quando falávamos uníamos teias reflexões aranhas mútuas linguagens uníamos costuramos sobre a mesa cosemos, ponto por ponto, as bordas de uma estrutura, de uma costura, bordados sobre o meu lar "e o cavalo na montanha" Balada para todo amor todo amor é assim, plágio cópia de cópia de si, no mesmo sim na sua visibilidade no seu sexo. Porque todo amor é aquela alegre repetição doença de sonho e de tensão acontecimento que tanto faz se desfaz. De que não posso dizer o que quero, ou o que vale nem mesmo vale a pena [O amor, seu troco.] O caro, o espaço, o caroço o que sobra o que falta e o falho. Todo amor falece. Não cresce. Não é o que se espera. Dele nada sobra. Além do gozo. Da calma, da cama, do colo da palavra: só as notas altas o cantam. As baladas mais. A exultação mais plena. Pois todo amor é outra vez o mesmo amor. É sempre. É pouco. E só se estabelece quando impossivelmente fala a falta do tolo amor, que já é lembrança excessiva. Que todo amor costura um tédio. E tem a surpresa da morte. Somos suas presas em suas levezas. Corre o fundo tempo por seus lodos mostra a sua sede à noite morta. Quem me crê sabe o que digo: o amor já vem perdido, pois perder-se é o destino amante. Dele vem logo o mote o trote o corte a espada que o amor tem em seus dentes pois sua loucura é o nada. rogel samuel ["Balada para todo amor, em 14 de maio de 2.000] (para Dilson Lages Monteiro) rua grande em Barras do Marataoã no Piauí, minha paixão distante Rua Grande e deserta ao fundo a Matriz os muros, as casas desertos rua larga e grande batida pelo sol pelo silêncio do sol seguida pelos passos silenciosos passos dos nossos antepassados ilustres dos nossos personagens Fileto, Thaumaturgo ó memória nativa ó glória que não se apaga traços passos na rua grande da história ao fingidor fingidor tua última postagem me dá a desvantagem da dor não assistirei à tua tumba farei um enorme esforço para continuar a abrir teu link morto 120.NÃO TENDO CHEGADO AS FLORES De primavera, gozo o prazer de dar-te a prévia rosa queiramos ou não que desabroche na mão da tua lâmina terna e sem dizer o que devemos ponho os olhos nos limites da estrada. Quem assim te afague, ó meu amor que ainda te amo como agora folha da tua árvore querendo ver-te como estrela o mais de sobretodas as senhoras olham de perto o incerto par. Sejamos lógicos com estas grinaldas de primavera que inventei sem peso me apaixonei sem me aproximar. Rogel Samuel Do livro 120 poemas De Rogel Samuel para Jefferson Bessa: li há pouco o seu poema corpo o corpo do seu poema as coisas que com o corpo fazemos li e sonho com o alheio quarto do alheio gozo do poema